Venica

20 de abr de 2017

Pastoral Americana


A Grande Decadência da América nada mais é do que a Grande Decadência do Perfeito.
John Steinbeck

Pastoral Americana, nosso livro do último Clube foi um baque no cérebro, uma chacoalhada na alma.
Existe o mundo perfeito? Existe a família perfeita? Existe o cidadão perfeito? Existe a nação perfeita?
Graças a Deus, não. Nunca. Jamais.
Porque, como mostrou magistralmente Phillip Roth em seu romance, estamos vivos. E porque estamos vivos, não sabemos o dia de amanhã, não sabemos quem cruzará nossos caminhos, não sabemos a emoção do outro, não sabemos se vai chover, fazer sol ou se seremos devorados por um tsunami. Quem quer a perfeição, ou acha que é perfeito, um aviso: você já morreu e não sabe.
Sueco Levov, o personagem perfeito do livro, achava que tinha  uma vida perfeita, uma esposa perfeita, uma casa perfeita, era um ídolo, um baita empresário, um homem de sucesso. E o que a vida lhe ensinou? A vida riu dele e lhe mostrou por caminhos tortuosos o quão errado ele estava. Pobre Levov, tão perto da perfeição e tão longe da felicidade.

O livro de Roth mostra a família de Sueco Levov como os Estados Unidos da América e expõe a face mais egoísta e dura do American Way of Life. A Família Margarina é uma ficção de Hollywood, fomentada nos dias de hoje, pelas redes sociais, onde proliferam-se vidas falsas, fúteis e vazias.

Roth com sua genialidade em escrever romances, fez em Pastoral Americana uma ode contra o egoísmo, a falsidade, o preconceito, a ganância, a ambição, a vaidade. É quase como se as páginas do livro gritassem: ´´libertem-se!´´. 
Phillip Roth é considerado um dos maiores romancistas do nosso tempo. Sério candidato ao Nobel de Literatura de 2018. Roth acredita que um povo que precisa de heróis é um povo fadado à infelicidade. Porque? Ora, porque nunca, jamais em tempo algum, um homem de verdade pode ser um herói perfeito. 



























Saímos do nosso Clube com a cabeça fervendo, o coração leve e a alma lavada! Depois de comermos um jantarzinho divino, um vinho de primeira e de ouvirmos com atenção Phillip Roth, veio a cereja do bolo: nossa Marquesa, Raquel Távora Mancini declamando poesias de Emily Dickson.
Que noite!



















Um comentário:

Anônimo disse...

Recentemente saiu um filme baseado no livro com a Natalie Portman no papel da mãe. Muito bom!

Leia tb A Marca Humana de Roth. Achei o melhor dele. Este livro tb tem um filme baseado, com Antony Hopkins.