Quando os membros do Clube do Filme se sentam nas confortáveis poltronas do Cineart e pegam sua pipoca, eles não tem a menor ideia de que filme vão assistir. Só ficam sabendo quando aparece no letreiro. E talvez se soubessem, não assistiriam. É essa a ideia! Sacudir a poeira, limpar o bolor do tédio, sair do lugar comum, abrir a cabeça!
Nosso último filme foi assim. Quando acabou, todos estavam meio sem saber o que falar: Almodovar nos tirando da zona de conforto com o seu controverso A Pele Que Habito.
Confesso que se não fosse o Clube eu jamais assistiria a esse filme! Porque? Por puro pre-conceito! Acho que na época que ele foi lançado achei a capa feia, vejam só. Sou mesmo uma tola. Mas ainda bem que existe o Clube que desembaça as minhas janelas e me faz ver o tamanho do mundo! Aleluia!
Enfim, A Pele Que Habito deu pano para manga. Depois da preleção bem feita de Ancelmo Sampaio sobre a parte estética do filme, veio a discussão. Alguns adoraram, outros gostaram, outros ainda estavam na dúvida. A única unanimidade foi a de que o filme é muito bom e causa um enorme desconforto.
Os críticos falam que A Pele talvez seja o melhor filme de Almodóvar e o que mais sintetiza sua loucura. Pode ser. A Pele toca em temas delicados como a sexualidade humana, nossas máscaras, o poder ao qual nos submetemos, a vingança, o ódio e o amor. E deixa uma pergunta desconfortável no ar: estamos realmente felizes com a pele que habitamos? Porque habitar uma pele é saber direitinho quem somos. Então, a pergunta que vem em seguida é: sabemos mesmo quem somos? E estamos felizes com isso?
A Pele poderia ser um filme gay, ou um drama vingativo, ou sobre a troca de sexo, ou um filme de horror (uma especie de Frankestein moderno). Mas depois que paramos para pensar (e é isso o que o Clube faz), A Pele é antes de tudo um filme sobre a loucura das relações humanas. A loucura do homem traído, a loucura da mulher suicida, a loucura da filha traumatizada, a loucura da mãe que ama mais um filho do que o outro, a loucura de desejar as vezes um homem e em outras uma mulher, a loucura de não saber a que tribo pertencemos, a loucura de amar o que não podemos, a loucura de vestirmos uma pele que muitas vezes não queremos.
A Pele nada mais é do que um filme sobre o lado B (e escuro) da nossa cotidiana e banal vida.






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