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5 de out de 2016

Carpinteiro e Jardineiro

Você sabe qual a diferença entre um carpinteiro e um jardineiro?
O carpinteiro pega a madeira e vai talhando, cortando, nivelando, medindo, pintando até deixá-la do jeito que ele quer. Como uma cadeira, por exemplo.
Já um jardineiro pode plantar, molhar, enxertar, cuidar, podar e até fazer topiarias, mas após algum tempo, a planta ficará do jeito dela mesma. Ela cresce para um lado, vira-se para o sol, cresce ou até morre. Mas embora o jardineiro tente domá-la, ela, a planta, será sempre ela mesma.
Aí vem a pergunta que dói fundo no coração dos pais: que tipo de pai ou mãe você é: um carpinteiro, que quer o filho do seu jeito, mesmo que ele fique duro e fixo, ou um pai jardineiro, que aduba, rega e vê com alegria o filho crescer livre?
O livro O Carpinteiro e O Jardineiro, da pesquisadora americana Alison Gopnik, vendeu milhões de exemplares nos Estados Unidos e está revolucionando os consultórios e as famílias.
Se você é daquelas mães (ou pais) que a-do-ram livros de auto-ajuda sobre Como Educar seu Filho corra léguas deste livro! Ele fala exatamente que a adoração dos pais por  livros de ´´como deixar o seu filho do jeito certo´´ é quase um crime!  "Do ponto de vista da evolução, tentar moldar conscientemente como seus filhos ficarão quando adultos é tanto fútil quanto autoimplosivo", diz a autora, coordenadora dos estudos da Universidade de Berkeley.
Outra coisa que Alison joga por terra: aquela mania dos pais de acharem que quanto mais atividades o filho fizer, mais preparado ele fica. Bobagem!!!!! Segundo ela, os pais que entopem os filhos de aulas de computação, judô, inglês, piano, futebol, etc, tiram dos pequenos o tempo para serem criativos, adquirirem jogo de cintura, aprenderem a sair sozinhos das situações. Isto sim, fundamental para um vida adulta saudável.
Aliás, quando o assunto é aprendizado, Alison afirma que é preciso desconfiar do excesso de atividades formais e curriculares não apenas porque elas cansam e fazem atrofiar a criatividade, mas também porque as crianças pequenas possuem capacidades aguçadas de decifrar o mundo à sua volta que independem da sala de aula.
Ou seja: pais e mães! Joguem pela janela os formões, talhadeiras, tintas, serrotes, aulas de tudo o quanto há,  e livros de auto-ajuda. Não sejam pais carpinteiros!!!!!
Adubem, reguem, conversem, ensinem, deixem que os pequenos usem a criatividade e tenham tempo livre. Só assim eles crescerão como uma árvore frondosa.
Ah, e para terminar: Alison ainda afirma que mesmo ela não sabe de nada! E que o riso de dar tudo errado é o mesmo de dar tudo certo!!!!!
Ave Maria!

P.S. a reportagem completa está na Folha de hoje.







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