Quem passa pelo enorme muro, todo coberto de plantas e heras, que contorna um quarteirão inteiro, não tem ideia do que se esconde lá dentro.
A casa de Vera Guimarães Duarte.
Para mim, uma das mais belas casas da cidade.
Esqueça a modernidade efêmera, fast fashion. A casa de Vera era linda há 30 anos atrás, é até hoje e será pelos próximo 30 anos.
Coisa que só com muito bom gosto, cultura, educação e qualidade se consegue. Não é pra qualquer um.
É preciso berço e muita vivência.
Projetada para uma família de 4 filhos, a casa se espalha num terreno de não sei quantos metros... mas são muitos, ah, se são.
Construída num único plano, a única escada é a que leva do estar íntimo até a varanda, passando pela adega.
As salas se abrem em arco para a varanda de cima e é de lá que avistamos a piscina com o jardim ao fundo.
Os jardins rodeiam toda a construção, com caminhos de pedras, heras, rosas, palmeiras, buchinhos, samambaias, camélias, orquídeas, azaléias.... uma coisa!
O coração da casa é a sala de TV que tem piso de granito bruto, panos de vidro que se abrem para o jardim de inverno, sofás confortáveis de couro. É ali também que fica a copa, com mesa e cadeiras D. João, armários mineiros antigos, uma coleção de borrão de desmaiar. E é também da porta da cozinha que saem os maravilhosos brownies, bolos, biscoitos, doces, tortas ...
Em casa de Vera se come maravilhosamente bem.
Todo sábado os amigos chegam para jogar peteca, almoçar ou papear. Vera tem seus fieis escudeiros, Ana e Zé Geraldo que cuidam de tudo há tantos anos que nem sei contar.
A casa de Vera é uma casa com vida.
Cada detalhe, cada quadro, porta-retrato, cada peça, cada móvel, tem uma história para contar.
Onde a vida passa, e a casa fica.
São as casas eternas.
''Uma casa não pode ser comprada. Precisa ser construída.''
Joyce Maynard